Publicado por: José Irineu Nenevê | 14/02/2017

Ano VIII – 14/fev

“É melhor corrigir os seus próprios erros do que corrigir os outros” (Demócrito de Abdera, filósofo grego, 460-370 a.C.).

Para erguer o outro precisa primeiro saber estar de pé. O dito evangélico “Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás ver com clareza para tirar o cisco do olho de teu irmão.” (Mateus 7,5), constitui uma admoestação importantíssima para qualquer ser humano quando se trata da correção fraterna. Em geral, há tendência de começar pelo caminho inverso, de mudar o outro, de tentar corrigir o outro sem olhar para si. Mais ainda, de achar que o outro é que é culpado e que precisa mudar de atitude. Diria Sartre: “O inferno são os outros”. Parafraseando: “o demônio é o outro”. Por essa razão, há quem passe a vida lutando e sofrendo na tentativa de mudar o outro, de corrigi-lo, e transformá-lo na sua imagem e semelhança. Isso pode ser (também), a nível familiar, escolar, social, tribal, planetário etc.. Aos poucos, quem sabe, depois de cem anos, se percebe que o outro não muda ou não mudou, apesar de todos os meus esforços. E, avaliando toda a trajetória, fica a triste decepção de uma constatação trágica: o desgaste inútil das tentativas de mudanças. Uma vida investida no absurdo de uma teimosia desnecessária. Corrigir, enquanto desejo de mudar o outro, dá muito trabalho, e trabalho sem frutos. Nada mais cruel a se constatar depois de muitos anos de aplicação nessa inutilidade. A mudança que de fato produz algum fruto é aquela onde se consegue com suor e afinco corrigir-se e aperfeiçoar-se no aprendizado diário das próprias correções. Corrigir-se é erguer-se e ficar de pé, seguindo avante, diante de cada obstáculo ou dificuldade que a própria vida pessoal, familiar, social, impõe a cada um diariamente. Esse ficar de pé é um reger-se autonomamente, no sentido de jamais esperar pelo outro ou forçar o outro a ser como quero e espero. Aliás, reger tem dentro de si a palavra rei. E rei enquanto aquele que rege a si mesmo. Rei não como aquele que chegou lá em cima oprimindo pessoas, tornando-as súditos. Mas como aquele que alcançou autoridade junto aos demais por ter permanecido de pé a linha de frente dos combates. Por ter vencido com os companheiros e conquistado a confiança e lealdade deles. Rei como aquele que aprendeu a colocar ordem no próprio reino interior, nos seus impulsos, nos seus juízos, domesticando tudo o que era rebelde, sem domínio, e sem orientação. O rei, neste caso, antes de corrigir o outro, impondo sua compreensão sobre o que acha que é maior e melhor, é alguém que compreende muito bem a si e, por isso mesmo, ajuda os demais a se compreenderem e a ficarem de pé nos grandes desafios. Correção, por sua vez, é arte de cor+regere, que no fundo é ter coração de um regente, de um rei. Quem não tem coração de regente, de um rei, de alguém que aprendeu a ficar de pé frente à vida no que ela tem de alto e baixo, de grande e pequeno, de bom e ruim, de forte e fraco, enfim, de todas as suas exigências e vigências, este julga falsamente e não serve para corrigir os demais. Não tem autoridade e nem credibilidade para ajudar o outro a ficar de pé. Pelo contrário, ao querer corrigir sem autoridade, sem conhecimento e sem credibilidade, é semelhante (tal qual diz São Paulo na carta aos Coríntios 13,1) ao metal que soa ou o sino que tine. Com outras palavras, é uma inutilidade! (Reflexão feita por Jose Irineu Neneve). Bom trabalho!

Bom Dia!
(21 anos)

 


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